quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Ma Petit"

Por L.:

Nesse mundo virtual já vi de quase tudo, digo quase pq sempre podemos nos surpreender. Uma vez perdida entro em algum chat, pra passar o tempo, pra ver como as pessoas ainda se comportam onde acham q estão acima do bem e do mal. E não é q existia vida inteligente naquele dia?!

Vendo aquela tela passar, com as conversas em aberto (pra td mundo ler), vejo uma pessoa desacatando, esbravejando com td mundo. Incrivelmente me via escrevendo aquelas respostas e não era eu! Não tive dúvidas, fui perguntar se ela queria luvas, pq estava colocando td mundo na lona, nocaute, sem piedade. Talvez eu estivesse esperando q fosse desacatada, e não fui! Talvez quisesse desafiar, ver até onde iria todo aquele atrevimento, arrogância.
Cínicamente, a pessoa me diz q não estava fazendo nada, apenas q não tinha paciência pra gente idiota. Li de novo, pq era como se eu me respondesse. Lembro q apenas disse: “Continue, enquanto eu fico lendo e me divertindo aqui”. Não sei, naquela madrugada eu estava nem aí para o politicamente correto. Felizmente.

Esse papo despretencioso, interativo, desafiante (sim, desafiante. Encontrar alguém tão inteligente, de ótimo humor, de raciocínio rápido em um chat é, digamos, sui generis), rendeu mtas horas, e tem rendido alguns dias. Entre troca de músicas, de pensamentos, idéias, de como percebemos a vida, pude ver q estava certa, havia uma pessoa doce, de um coração bom, por trás de uma figura q parecia ser intocável. Hj apenas atravessa momento de incertezas, mas querendo acertar, alcançar seus sonhos. Foi graças a essa pessoinha tão especial q achei minha atual trilha sonora… Bad Romance, da Lady Gaga. Amo o refrão, a batida da música, e a idéia de q ainda entrando em um romance ruim, eu posso dançar mto e ver mto mais q sofrimento.

I want your love and
I want your revenge
You and me could write a bad romance
(Oh-oh-oh-oh-oooh!)
I want your love and
All your lovers' revenge
You and me could write a bad romance
Oh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh-oh!
Caught in a bad romance
Oh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh-oh!
Caught in a bad romance



É uma sensação tão estranha, e ao mesmo tempo, tão confortante… No íntimo, é como ver uma parte de quem sou, de quem fui, em alguém q nunca havia conversado antes. É como me dizer: “Corre, faz qq coisa, mas se apressa, q ainda dá tempo”. Tenho a alegria de conversar com alguém q a toda hora, mesmo sem querer, me mostra q tem mta coisa a ser feita, e q me faz mta falta qd não está por perto.

Em alguns momentos discordamos, brigamos como cão e gato (ou será q brincamos de gato e rato?), mas de forma alguma penso na hipótese de deixarmos essa nova amizade se perder no tempo, no orgulho, na intolerância, na incapacidade de lidar com as diferenças. Sou dada a sentimentos intensos, nem sempre bem demonstrados, a me apegar, a querer estar junto de quem gosto, de quem admiro e respeito. Não vou deixar sair da minha vida sem brigar antes. Posso pecar pelo excesso de amor aos amigos, mas não da falta do meu amor.

Entro naquela de Saint-Exupéry: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo q cativas.







>>
Por 'Cocadinha de sal', aka Shi Oliveira:
E já que se faz referência à "Le Petit Prince", continuo...

"Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo."

"Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante."

"Fica responsável por tudo aquilo que domesticaste."

"Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz."

E por fim, termino com:
"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar..."

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Bad Romance.

E quem diria que uma noite tediosa de quinta-feira se transformaria em palco de boas risadas não é? Foi exatamente assim que tudo começou.
Entrelinhas em aberto..
Nunca cogitei a possibilidade de encontrar num chat um ser tão singular: o oposto do meu avesso! (se isso existe?, claro! tudo é possível em se tratando deste.)
Ora sutil, ora apocalíptica..
Um discurso infinito numa prece avassaladora.
Embora tente, não consigo explicar com precisão a capacidade alheia de tornar tudo mais simples e menos pragmático.
A cada interação, tem me ensinado sobre a arte da "tolerância" e como eu devia ser menos arredia e mais cordial.

Admito, me faz um bem incomensurável e uma falta miserável toda vez quando não está por perto. Quer mais que isso?
Nunca admiti precisar tanto de coisa alguma. A não ser de O2 + H2O.

Sabe quando você cria um tesouro inimaginável? Daqueles que você sabe que só existem na sua cabeça, e que por mais que você desbrave os sete mares, e afunde mil oceanos não vai achar porque ele é produto da sua imaginação?
Pois é, e acredite, eu acabei encontrando!
Mas como todo tesouro que é protegido por um pirata, ele não foge à regra.

Demorei alguns dias até entender que o tal pirata sou eu..
E que o espectro da dor e do sofrimento não me permite desfrutá-lo e por mais rico que ele se apresente.

De certa forma, estou feliz em saber que nossas impossibilidades talvez nem sejam tão impossíveis assim. E que de uma imprevisibilidade pode surgir as mais belas oportunidades.
Extrair petróleo da superfície é moleza. Conseguir a prospecção perfeita e explorar o fundo do mar, é outra coisa completamente diferente.
O que torna mais digna a conquista!

Nunca me senti atraída pelo que é fácil, palpável, sólido..
Sempre busquei o abstrato, o ilimitado e me sentia completamente atraída por tudo aquilo que parecesse além do impraticável.

Com o tempo a gente aprende que não está em nossas mãos o poder de decidir a natureza das coisas, e elas nos chegam como são. Não cabe a nós mudá-las, ou moldá-las. Faz parte da aceitação, tolerância, convivência e aprendizado.
E não sei bem o porquê ando tão consciente disto nos últimos dias. Ou deveria? [interna..]

Mas o que tem o título a ver com tudo isso?
Simples: Se à corte, ou um 'bad romance', it doesn't matter baby!
O que importa é que o legado adquirido por uma brevidade de dias, pode ou não ecoar pela eternidade. E só depende de NÓS!!

***





letra & tradução: Click aqui!
video no Youtube: Click aqui!

remixes:
>> Lady GaGa - Bad Romance (Chew Fu Club Mix)

>> Lady Gaga - Bad Romance ( Main Version DRM )


"You know that I want you,
And you know that I need you,
I want a bad,
a bad romance.

I want your lovin’
and I want your revenge,
You and me could write a bad romance.
I want your love
and all your lovers revenge,
You and me could write a bad romance.
Whoa-oh-oh-oh-ooooooh oh-oh-oh,
Caught in a bad romance,
Whoa-oh-oh-oh-ooooooh oh-oh-oh,
Caught in a bad romance."

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

The Sound Of Missing You.

Sexta-feira, ou melhor, madrugada de Sábado. São exatamente 03:30 AM agora.
Duelo com dois vilões. A insônia, e o pior de todos: a saudade!

Os dias vão se passando... as semanas, os meses. Só isso, essa dor no peito, nó na garganta, que parece não passar nunca!!

Indubitavelmente hoje, senti a necessidade de me dissolver em música e palavras. Pois só dessa forma, consigo aliviar um pouco do muito que me atormenta.

Passei boa parte da vida me resguardando do amor, pra um dia ele me nocautear com os golpes mais indignos! E o que é pior, me imposibilitar de todas e quaisquer chances de defesa.

É fácil surrar alguém cego. Ou pisar quem já está no chão.
Difícil é admitir que tantas injustiças só apontam pra uma única verdade. E justamente aquela que nos recusamos aceitar.

Fecho os olhos, e ainda me custa acreditar. Como dói a decepção de ter sido milionário ontem, e o pior dos mendigos no dia seguinte!

Admito ter hoje uma visão míope sobre o amor, ou manca pelo menos. Mas apesar disso, e com um pouco de fé e sorte, talvez eu ainda encontre alguém com duas moedas no bolso e caráter de sobra!!!

É TUDO, E APENAS ISTO, DO QUE MEU CORAÇÃO PRECISA. =)






DOWNLOADS:

>> Ameerah - The Sound Of Missing You ( Extended Version )

>> Ameerah - The Sound Of Missing You ( Dave Ramone Club Mix )

>> Ameerah - The Sound Of Missing You ( Dave Ramone Radio Edit )

>> Ameerah - The Sound Of Missing You ( Candlelight Piano Light Version )



TRADUÇÃO: Click aqui!


I miss hearing your voice,
All the words that you said to me
But now this empty space fills me up and takes over me
And I can't escape it

It always keeps coming back
The sound of missing you
I hear it all around
The sound of missing you
The silence is so loud
The sound of missing you

I can't break through these walls that are rising in front of me
And the deeper I fall, I realise I never gonna be free
Baby release me

It always keeps coming back
The sound of missing you
I hear it all around
The sound of missing you
The silence is so loud
The sound of missing you

Time goes by and it feels like I'm just going out of my mind
What we had, bring it back now
Cause I'm feeling empty inside
Oh, times goes by and it feels like I'm just going out of my mind
What we had, bring it back now
Cause I'm feeling empty inside

It always keeps coming back
The sound of missing you
I hear it all around
The sound of missing you
The silence is so loud

(Yeah) I miss hearing your voice,
All the words that you said to me (oh I need you)
But now this empty space fills me up and takes over me (heeeey)
(Baby release me)
I can't break through these walls, they are rising in front of me (it alway keeps coming back)
(The sound of missing you)
And the deeper I fall, I realise I never gonna be free (I hear it all around)
(The sound of missing you)
I can't break through these walls, they are rising in front of me (the silence is so loud)
The sound of missing you

The sound of missing you

The sound of missing you

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meu nome é saudade...



Lucky (Letra)
Jason Mraz (ft. Colbie Caillat)
Composição (Fagan / Jason Mraz /Colbie Caillat)
ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-BPPl9TA0vk


Do you hear me, I’m talking to you
Across the water across the deep blue ocean
Under the open sky oh my, baby I’m trying

Boy I hear you in my dreams
I feel you whisper across the sea
I keep you with me in my heart
You make it easier when life gets hard

I’m lucky I’m in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Oooohhhhoohhhhohhooohhooohhooohoooh

They don’t know how long it takes
Waiting for a love like this
Every time we say goodbye
I wish we had one more kiss
I wait for you I promise you, I will

I’m lucky I’m in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
I’m lucky we’re in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday

And so I’m sailing through the sea
To an island where we’ll meet
You’ll hear the music, feel the air
I put a flower in your hair

And though the breeze is through trees
Move so pretty you’re all I see
As the world keep spinning round
You hold me right here right now

I’m lucky I’m in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
I’m lucky we’re in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday

Ooohh ooooh oooh oooh ooh ooh ooh ooh
Ooooh ooooh oooh oooh ooh ooh ooh ooh

sábado, 3 de outubro de 2009

Battlefield.

Alguns dias apenas nos separam da Secret Party, e como é de praxe, o dj Marcello Novotny sempre lança uma prévia do SETmix que vai bombar lá. Então eu religiosamente, e como fã de carteirinha da figura, baixei..

O SET ficou megaTESUDO! E nem preciso maiores justificativas.. quem conhece o trabalho do Marcello, sabe que ele adora inovar e ousar com a escolha dos singles.

Contudo, algo desta vez me chamou atenção e fiquei totalmente estática!!!

Um dos hits contava a história de minha vida..
So, for you 'mon amour':





BATTLEFIELD [Campo de Batalha]
voz: Jordin Sparks
Composição: Ryan Tedder / Wayne Wilkins / Louis Biancaniello / Sam Watters
remix by podutor e Dj. Rafael Lelis: http://www18.zippyshare.com/v/92538900/file.html


Don’t try to explain your mind
[Não tente explicar à sua mente]
I know what’s happening here
[Eu sei o que está acontecendo aqui]
One minute it’s love
[Em um minuto é amor]
And suddenly it’s like a battle-field
[E de repente é como um campo de batalha]

One word turns into a
[Um mundo vira uma guerra]
Why is it the smallest things that tear us down
[Porque são as pequenas coisas que nos põem para baixo?]
My world’s nothing when you don’t
[Meu mundo é nada quando você se vai]
I’m not here without a shield
[Eu estou aqui sem um abrigo]
Can’t go back now
[Não posso voltar atrás]


Both hands tied behind my back with nothing

[Ambas as mãos tentam esconder minhas costas por nada]
Oh no, these times when we climb so fast to fall again
[Ah não ,esses tempos quando nós escalamos tão rápido para cair novamente]
Why we gotta fall for it now
[Por que nós temos que cair para ele agora?]
I never meant to start a war
[Eu nunca quis começar uma guerra]
You know I never wanna hurt you
[Você sabe, eu nunca quis magoar você]
Don’t even know what we’re fighting for
[Nem sei ao menos porquê estamos brigando]

Why does love always feel like a battlefield, a battlefield, a battlefield? (x2)
[Porque sentir o amor sempre como uma batalha, uma batalha, uma batalha?]
Why does love always feel like..
[Porque sempre sinto que o amor ..]

Can’t swallow our pride,
[Não podemos engolir nosso orgulho]
Neither of us wanna raise that flag, mhmm
[Nenhum de nós quer levantar aquela bandeira, mhmm]
If we can’t surrender then we both gonna lose what we had, oh no
[Se não podemos renunciar, então nós dois vamos perder o que conquistamos, oh não]


Both hands tied behind my back with nothing
[Ambas as mãos tentam esconder minhas costas por nada]
Oh no, these times when we climb so fast to fall again
[Esses tempos quando nós escalamos tão rápido para cair novamente]
I don’t wanna fall for it now
[Eu não quero cair para ele agora]
I never meant to start a war
[Eu nunca quis começar uma guerra]
You know I never wanna hurt you
[Você sabe, eu nunca quis machucar você]
Don’t even know what we’re fighting for
[Nem sei ao menos porquê estamos brigando]

Why does love always feel like a battlefield, a battlefield, a battlefield? (x2)
[Porque sentir o amor sempre como uma batalha, uma batalha, uma batalha?]


I guess you better go and get your armor, (get your armor) get your armor

[Eu acho melhor você ir e pegar sua armadura, (pegar sua armadura pegar sua armadura]
I guess you better go and get your armor, (get your armor) get your armor
[Eu acho melhor você ir e pegar sua armadura, (pegar sua armadura pegar sua armadura]
I guess you better go and get your…
[Acho melhor você ir e pegar sua ...]

We could pretend that we are friends tonight (oh-oh-oh)
[Nós podemos fingir que somos amigos esta noite (oh-oh-oh)]
And in the morning we’ll wake up and we’ll be alright
[E pela manhã nós acordaremos e tudo estará certo]
Cause baby we don’t have to fight
[Porque baby, nós não precisamos brigar]
And I don’t want this love to feel like..
[E eu não quero esse amor para sentir]

A battlefield, a battlefield, a battlefield,
[Como um campo de batalha, um campo de batalha, um campo de batalha]
Why does love always feel like a battlefield, a battlefield, a battlefield
[Porque amor sempre parece um campo de batalha, um campo de batalha , um campo de batalha]

I guess you better go and get your armor…
[Eu acho melhor você ir e pegar sua arma...]


I never meant to start a war
[Eu nunca quis começar uma guerra]
You know I never wanna hurt you
[Você sabe, eu nunca quis machucar você]
Don’t even know what we’re fighting for (fighting, fighting for)
[Nem sei ao menos porque estamos brigando (brigando,brigando por)]

Why does love always feel like a battlefield, a battlefield, a battlefield? (x2)
[Porque o amor sempre sentir como uma batalha, uma batalha, uma batalha?]

I guess you better go and get your armor, (get your armor) get your armor
[Eu acho melhor você ir e pegar sua armadura, (pegar sua armadura pegar sua armadura]
I guess you better go and get your armor, (get your armor) get your armor
[Eu acho melhor você ir e pegar sua armadura, (pegar sua armadura pegar sua armadura]

Why does love always feel like…
[Porque amor sempre parece um campo de batalha...]
Why does love always feel like…
[Porque amor sempre parece um campo de batalha...]
A battlefield, a battlefield..
[Um campo de batalha, um campo de batalha]

I never meant
[Eu nunca quis]
to start a war
[começar uma guerra]
Don’t even know
[Nem sei ao menos]
What we’re fighting for
[Porque estamos brigando]

I never meant
[Eu nunca quis]
to start a war
[começar uma guerra]
Don’t even know
[Nem sei ao menos]
What we’re fighting for
[Porque estamos brigando.]

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um brinde ao (In)finito.

O ANTES:
[September, 30 th, 2009. 19:00 pm ; UFPB: English Literature II classroom]




"O rose, thou art sick!
The invisible worm
That flies in the night
In the howling storm

Has found out thy bed
Of crimson joy,
And his dark secret love
Does thy life destroy."


[The Rose Sick, poem by William Blake]


***


O DEPOIS:

[Torre's Bar, 30 de Setembro de 2009; 22:00 pm]




À convite de 'parêa', depois das respectivas aulas, fomos papear um pouco numa mesa de bar. Mesmo porque, desde quando as idéias ficam truncadas diante de algumas garrafas de cerveja? [risos..]

O ambiente parecia bastante familiar, aconchegante. Então entramos e procuramos uma mesa mais discreta, acredite!
À parte as possíveis mensagens subliminares quanto a localização da mesa [e era mesmo tão estratégica! kkkk], conseguimos passar 'quase' despercebidos dos olhares suntuosos.

Mas, o que de fato, tem a ver o poema de Blake com isso tudo? ..aguarde!

Nem bem sentamos e já sentimos a atmosfera do lugar.. o clima 'Maysa', vulgo 'fossa sentimental' pairava no ar..
Então o carinha, um bem apessoado e afinado músico-artista, dedilhava gentilmente canções do Chico Cesar, Maria Bethania, Lenine, Zelia Duncan, Cassia Eller, Legião e outras beldades da música brasileira.
O clima era propício, o ambiente também..
Talvez a única incoerência alí fosse eu, aliás, nós: eu e ele.

Há exatamente uma semana, o 'meu mundo caiu'. Literal e metaforicamente, ou vice-versa. Minha fase 'Maysa' era aparentemente visível, e não para mero espectadores, mas para os coadjuvantes [aqueles mais chegados, a quem somente, eu permito participar Co-ativamente da minha vida!]

Tomei um tombo feio da vida. Caí, me feri e na tentativa de sobrevivência, posso ter ferido outros também.. totalmente aceitável. Visto que em um embate, nem sempre os participantes saem ilesos, infelizmente.

A cada acorde do rapaz, minhas feridas sagravam [e eu que já achava ter cicatrizado]. Imaturidade a minha! Como pudera?, essas coisas levam tempos, anos e em alguns casos, a vida inteira!!
Meu semblante triste dava lugar a decepção e meus pensamentos se perdiam entre as dúvidas: 'do que foi' e 'de como poderia ter sido'. Não que isso fizesse muita diferença agora, ainda assim, eu cogitava dentro em mim algumas possibilidades.

Foi quando num ímpeto de destempero [de minha parte, obviamente..rs], parêa me relembrou o quanto eu tinha sido injustiçada, e não que o amor faça vítimas, mas em alguns casos, isso é apenas um mero detalhe.
A intervenção dele me lembrou o que tinha visto algumas horas na aula, o poema "The sick rose" de W. Blake.

Infame pensar que as rosas são 'bio' sensíveis que apenas exalam perfumes.
Elas adoecem..
Não existe morte instantânea. Senão quando fora cortada ou arrancada de seu 'habitat'.

Pensando sobre essas conjecturas, percebi que fazia mentalmente enquanto divagávamos sobre nossos infortúnios amorosos, a real leitura do poema:
Esse 'worm=verme'a quem Blake se refere, pode ser o amado. "the invisible worm", e "that flies in the night", talvez sejam duas realidades dicótomas da personalidade desse ser, que é ora encantador [borboleta], ora predador [verme].
Sobre a segunda estrofe do poema, os versos: "And his dark, secret love" e "Does thy life destroy." concordo inquestionavelmente! E como, não é parêa?!
Não há amor que resista às nuances de um "secret affair"!!
O que num determinado momento parecia discreto e inofensivo, passa à manipulação conscientemente 'dolosa'.

Diante de argutas conclusões e diagnóstico tão preciso, decido seguir deliberada e deliciosamente a vida. Sonhos ainda não são projetos, mas sempre estiveram de vento em popa! E que assim seja, eternamente seja.
Antes sonhador, que 'acomodado'. Tô passando de 'mediocridade' faz tempo! [né parêa?]

E pra fechar as aspas do nosso diálogo 'fermentado', num é que resolvemos pedir músicas. Lá vem o garçom, parêa pede caneta e guardanapo, e escreve o pedido dele. Pra não deixar por menos, resolvi avacalhar e também fiz o meu.
Entregamos e de imediato, os clientes ouvem em plena quarta-feira, a pérola cearense do Fagner:
"Tenho um coração
Dividido entre a esperança
E a razão
Tenho um coração
Bem melhor que não tivera...

Esse coração
Não consegue se conter
Ao ouvir tua voz
Pobre coração
Sempre escravo da ternura...

Quem dera ser um peixe
Para em teu límpido
Aquário mergulhar
Fazer borbulhas de amor
Prá te encantar
Passar a noite em claro
Dentro de ti...

Um peixe
Para enfeitar de corais
Tua cintura
Fazer silhuetas de amor
À luz da lua
Saciar esta loucura
Dentro de ti..."


Santo Dió, composição linda!
[enquanto parêa tinha avcs de risos, eu fazia dueto com o cantor!]
O Fagner não é romântico, brega sou eu. Isso se chama COMÉDIA!

Moral da história: Só rindo muito pra não chorar, né parêa?
ps: obrigada pela força e por ter você comigo em todas as horas viu?!
Adoro kissóh! =**

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ela e o Castelo.

"...Sabes quem sou? Eu não sei.
Outrora, onde o nada foi,
Fui o vassalo e o rei..."
...
"Nada, senão o instante, me
conhece!"

(Fernando Pessoa)



***

“Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(...)

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

(...)

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

(...)

Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.

(...)

Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas —
Todos são a minha amante predileta pelo menos um momento na vida.

(...)

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-rne,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

(...)

Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas ás emoções,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angústia da forja das emoções!
Raiva, espuma, a imensidão que não cabe no meu lenço,
A cadela a uivar de noite,
O tanque da quinta a passear à roda da minha insônia,
O bosque como foi à tarde, quando lá passeamos, a rosa,
A madeixa indiferente, o musgo, os pinheiros,
Toda a raiva de não conter isto tudo, de não deter isto tudo,
Ó fome abstrata das coisas, cio impotente dos momentos,
Orgia intelectual de sentir a vida!

Meu ser elástico, mola, agulha, trepidação ...



***
[PASSAGEM DAS HORAS - Álvaro de Campos-Fernando Pessoa]